Cascudo - Biblioteca Virtual

Cronologia
Linha do Tempo
  • 1898 - 

    Nasce em Natal/RN, a 30 de dezembro, filho de Francisco Justino de Oliveira Cascudo, o Coronel Cascudo, e Ana Maria da Câmara Pimenta. O casal teve quatro filhos, dos quais três deles faleceram ainda crianças, vitimados pela crupe (difteria). Só o terceiro filho, Luís, sobreviveu.

  • 1899 - 

    É batizado no dia 09 de maio, pelo Padre João Maria Cavalcanti de Brito, na Igreja do Bom Jesus das Dores. Teve como padrinhos o Governador Joaquim Ferreira Chaves e sua esposa Alexandrina Barreto Ferreira Chaves. O sobrenome incomum é uma curiosidade. O seu avô paterno, Antônio Justino de Oliveira (1829-1894) era um monarquista ferrenho, adepto do partido conservador, conhecido no Rio Grande do Norte como “cascudo”. A dedicação do velho Antônio Justino ao partido valeu-lhe o apelido de “o velho cascudo”. Dois filhos de Antônio, Francisco (pai de Luís) e Manuel, adotaram a alcunha como sobrenome, nascendo desta forma, oficialmente, a família “Cascudo”.

  • 1904 - 

    Aprende a ler sozinho através da Tico-Tico, revista infantil muito popular na época. Sua primeira professora foi Totônia Cerqueira. Sua curiosidade intelectual precoce o impelia a ler tudo que via pela frente, revistas, álbuns de gravuras e curiosidades.

  • 1910 - 

    Seu pai matricula-o no Colégio Diocesano Santo Antônio, atual Colégio Marista.

  • 1912 - 

    Seu pai contrata o Professor Francisco Ivo Cavalcanti para dar aulas particulares ao filho. Cascudo ainda teria outros professores particulares, que contribuíram para diversidade de sua formação intelectual.

  • 1914 - 

    Muda-se para uma mansão no bairro do Tirol, a “Vila Amélia”, adquirida pelo pai no final de 1913. A mansão do arquiteto Herculano Ramos passa a ser chamada de “Principado do Tirol” e “Vila Cascudo” e ocupa quase um quarteirão inteiro. A propriedade possuía o luxo e o requinte incomuns para a época e torna-se um local de realização de eventos culturais da cidade. Nesta época, seu pai, Francisco Cascudo, era Coronel da Guarda Nacional e um próspero comerciante, sendo inclusive representante dos carros Ford no estado do Rio Grande do Norte.

  • 1917 - 

    Conclui, aos 19 anos, o curso preparatório no colégio Atheneu Norte Riograndense

  • 1918 - 

    Ingressa no curso de Medicina em Salvador, obedecendo a uma tradição da época, onde as melhores famílias tinham um filho advogado ou médico.

    Publica o primeiro artigo no jornal “A Imprensa” de propriedade de seu pai, a 18 de outubro. O título do artigo é “Bric-à-Brac”, expressão francesa que significa amontoado de coisas antigas à venda. Este será apenas o primeiro de uma série de artigos que escreve no decorrer de sua vida, publicando no total mais de 2.500 artigos de jornal e outros 230 para revistas.

  • 1919 - 

    Transfere-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

  • 1920 - 

    Abandona o curso de Medicina, para o qual não se achava vocacionado.

  • 1921 - 

    Publica o seu primeiro livro, “Alma Patrícia”, crítica literária sobre poetas natalenses desconhecidos do resto do Brasil. Por ocasião da publicação, tinha apenas 23 anos de idade. O livro é muito bem recebido pela crítica.

    Publica na Revista do Brasil, editada por Monteiro Lobato, o artigo “O Aboiador”, que pode ser considerado um dos seus primeiros textos ligados à cultura popular, denunciando a sua pesquisa e predileção sobre o assunto.

  • 1924 - 

    Ingressa no curso de Direito na Faculdade do Recife.

    Publica os livros “Histórias que o tempo leva”, através da editora de Monteiro Lobato, com prefácio de Rocha Pombo, e “Joio”, editado pela gráfica do jornal “A Imprensa”.

    Inicia, por meio de correspondência, a amizade com o intelectual paulista Mário de Andrade. A amizade e a correspondência seriam mantidas até 1944, pouco antes do falecimento de Mário (1945).

  • 1927 - 

    Publica os livros “López do Paraguay”, através da tipografia do jornal “A República”, e “Versos Reunidos”, antologia poética de Lourival Açucena, com notas de sua autoria.

  • 1928 - 

    Forma-se em Direito pela Faculdade do Recife.

    É nomeado pelo Governador do Estado, Juvenal Lamartine, professor interino da cadeira de História do Brasil do tradicional colégio Ateneu Norte Riograndense.

    Em dezembro, hospeda na Vila Cascudo o escritor Mário de Andrade que viaja ao Rio Grande do Norte atendendo ao seu convite.

  • 1929 - 

    Viaja com Mário de Andrade, percorrendo 1.104 quilômetros do interior do estado, colhendo material de pesquisa sobre cultura popular. Mário fica deslumbrado com o coquista Chico Antônio, morador de Goianinha, interior do estado.

    É nomeado pelo Governador do Estado, Juvenal Lamartine, diretor interino do colégio Ateneu.

    A 29 de abril casa-se com Dáhlia, filha do Desembargador Teotônio Freire e Maria Leopoldina Viana Freire. Dáhlia, 11 anos mais nova do que Cascudo, era chamada por ele “uma flor sem espinhos” e foi o grande esteio emocional que possibilitou a criação de sua monumental obra.

  • 1930 - 

    Em 27 de julho é eleito Deputado Estadual pelo Partido Republicano Federal, graças ao prestígio do seu pai e ao apoio do Governador Juvenal Lamartine. A 1o de outubro os eleitos são empossados. No dia 3 de outubro, explode a Revolução de 30, em 6 do mesmo mês a Assembléia Legislativa é dissolvida e todos os eleitos são depostos. O seu mandato de Deputado Estadual durou apenas 5 dias.

  • 1931 - 

    É nomeado pelo Interventor Federal, Aluízio de Andrade Moura, como Diretor da Imprensa Oficial, cargo perdido em 31 de julho, devido à destituição do Interventor pelo Presidente Getúlio Vargas. Nasce, a 09 de maio, o seu primogênito, Fernando Luís da Câmara Cascudo, que tem um padrinho ilustre: Mário de Andrade.

  • 1932 - 

    Ocorre o fim do “Principado do Tirol”, com a decretação da falência de seu pai, Coronel Francisco Cascudo. A propriedade é hipotecada para saldar dívidas contraídas por Coronel Cascudo e que não puderam ser pagas. A família passa a morar em uma casa bem menor, na Av. Junqueira Aires, 393 (vizinho à atual Casa Câmara Cascudo).

  • 1933 - 

    Defende tese do concurso público para o corpo docente do colégio Ateneu, com o tema “Intencionalidade do Descobrimento do Brasil”. A tese é defendida com brilhantismo, garantindo a sua efetivação como professor deste estabelecimento de ensino.

    Com a criação do Instituto de Música do Estado, a 31 de janeiro de 1933, pelo Interventor Federal do Rio Grande do Norte, Bertino Dutra, Cascudo é nomeado professor de História da Música da instituição, juntamente com Waldemar de Almeida, professor de piano e diretor (“A República”, 11/03/1933, informação gentilmente cedida pelo Historiador e Pesquisador Cláudio Galvão).

    De 1933 a 1937 ele torna-se líder do movimento integralista no estado, em cujo movimento tinha ingressado a convite do historiador e folclorista cearense Gustavo Barroso.

    Publica as obras “O Conde d’Eu” e “O Homem Americano e seus temas”.

  • 1934 - 

    É nomeado catedrático de História da Civilização do colégio Ateneu, em 26 de abril.

    Em maio acompanha o Interventor Mário Câmara numa excursão ao interior do estado do Rio Grande do Norte. Sobre esta viagem, ele escreve várias reportagens que são transformadas em um livro intitulado “Viajando o Sertão”, publicado pela Imprensa Oficial neste mesmo ano.

    Publica o opúsculo intitulado “O mais antigo marco colonial do Brasil”.

  • 1935 - 

    Em junho é eleito sócio-correspondente da Academia Nacional de História e Geografia do México. A eleição representa o primeiro reconhecimento estrangeiro à sua produção intelectual.

    Ocorre o falecimento do pai, Coronel Francisco Cascudo, a 19 de maio, com 72 anos de idade e amargando uma terrível falência.

  • 1936 - 

    Funda, com outros intelectuais natalenses, a Academia Norte Riograndense de Letras, ocupando o cargo de Secretário Geral na primeira Diretoria.

    Publica a obra “Em Memória de Stradelli” e o opúsculo “O Brasão Holandês do Rio Grande do Norte”.

    Nasce, a 13 de outubro, sua filha: Anna Maria Freire Cascudo.

  • 1937 - 

    O Presidente Getúlio Vargas dá um golpe de estado, implantando o Estado Novo, proibindo a atividade da Ação Integralista Brasileira e da Aliança Nacional Libertadora. Nesta oportunidade, decepcionado com o ideário integralista, ele se desliga do movimento. A partir de então, toma aversão a qualquer participação político-partidária.

  • 1938 - 

    É nomeado pelo Governador Rafael Fernandes, Secretário do Tribunal de Apelação. Neste ano ele ainda ocupa o cargo de Professor de História da Música no Instituto de Música do Estado.

    Em setembro é convidado para pronunciar o discurso de inauguração do edifício do Liceu Literário Português, no Rio de Janeiro. A imprensa carioca elogia imensamente o seu discurso.

    Publica as obras “O Doutor Barata, político, democrata e jornalista” e “O Marquês de Olinda e seu tempo”.

  • 1939 - 

    É eleito sócio-correspondente da Confraternité Universelle Balzacienne, de Montevidéu, e filia-se ao Instituto de Coimbra. Neste mesmo ano, ele já tinha sido eleito sócio-correspondente do Instituto Português d’Arqueologia, História e Etnografia.

    A partir de 25 de maio, começa a publicar quase diariamente a sua famosa coluna, “Acta Diurna”, no jornal “A República”. Esta coluna será o ponto de partida de vários dos seus futuros livros.

    Publica as obras “Governo do Rio Grande do Norte” e “Vaqueiros e Cantadores”.

  • 1940 - 

    É agraciado com a comenda Cruz de Cavaleiro da Coroa da Itália, concedida por Sua Majestade Victor Emanuel, rei da Itália, em cerimônia realizada no dia 05 de abril na residência do Vice-Cônsul da Itália em Natal, Sr. Guilherme Letiere. Esta comenda foi concedida em decorrência da publicação do seu livro “Em Memória de Stradelli” (1936), sobre o cientista italiano que viveu no Amazonas de 1883 a 1926 e realizou uma importante pesquisa sobre a botânica brasileira.

    Durante a participação do Brasil na II Guerra Mundial, é Diretor do Serviço de Defesa Pacífica no estado.

    Publica a obra “Informação de História e Etnografia”.

  • 1941 - 

    Funda, a 30 de abril, a Sociedade Brasileira de Folclore, primeira instituição no gênero do país, com sede na sua residência. O grande objetivo da instituição foi a realização de atividades em defesa do folclore de Natal e do Nordeste. Estabeleceu um importante intercâmbio internacional com diversos pesquisadores tais como Stith Thompson e Archer Taylor (Estados Unidos), Duilearga (Irlanda), von Sydow (Suécia), Schmidt (Suíça), Castillo de Lucas (Espanha), entre outros que eram correspondentes constantes da sociedade.

  • 1942 - 

    Publica o opúsculo “Sociedade Brasileira de Folclore”.

    Publica a tradução de “Viagens ao Nordeste do Brasil”, de autoria de Henry Koster, viajante que percorreu o nordeste brasileiro em 1810. 

  • 1944 - 

    É eleito, em setembro, membro da The American Academy of Political and Social, instituição fundada em 1868 na Filadélfia, Estados Unidos. Em novembro, é eleito sócio-correspondente da Folk-Lore Society, de Londres, a mais antiga sociedade de folclore do mundo.

    Publica a obra “Antologia do Folclore Brasileiro”.

    Organiza a antologia “Os melhores Contos Populares de Portugal”, editada neste ano. 

  • 1945 - 

    Ingressa no fechado grupo da Sociedade de Folclore da Irlanda, da qual só participavam, até então, quatro folcloristas de fama mundial: Archer Taylor e Stith Thompson (americanos), Reider Christiansen (norueguês) e Wilhelm von Sydow (sueco). Com mais esta distinção internacional, ele alcança um nível invejável de reconhecimento e respeito intelectual.

    Publica a obra “Lendas Brasileiras”.

  • 1946 - 

    Em 3 de julho, é designado pelo Interventor Federal do Estado do Rio Grande do Norte, Ubaldo Bezerra, como encarregado do estudo e do planejamento dos Serviços de Biblioteca e Arquivo Público a serem criados no Estado. Desliga-se, nesta oportunidade, do cargo de Secretário do Tribunal de Apelação, para assumir esta nova função.

    Na primeira quinzena de outubro, integra a Missão Cultural Brasileira que visita Montevidéu, capital do Uruguai, a convite do Ministro de Relações Exteriores, Embaixador João Neves da Fontoura. No auditório da Faculdade de Direito e Ciências da Universidade Nacional do Uruguai, pronuncia duas conferências sobre Etnografia, nos dias 10 e 12 de outubro, sendo aplaudido de pé ao término de cada uma delas. Um acontecimento interessante dessas conferências é o fato de Cascudo, ao chegar ao Uruguai ter suas malas extraviadas, transportadas para Buenos Aires por engano. Nestas malas estavam os textos das conferências, que terminaram sendo feitas de improviso, demonstrando todo o conhecimento e verve cascudianas.

    Publica a obra “Contos Tradicionais do Brasil”. 

  • 1947 - 

    A 24 de abril, no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, sob a presidência de Nestor dos Santos Lima, é homenageado pelos amigos e admiradores. Nesta época, com ampla projeção nacional e internacional, Cascudo fazia parte de 26 instituições culturais brasileiras e 15 internacionais.

    Viaja a Portugal, em agosto, na qualidade de Membro da Comissão Organizadora do “I Congresso Luso-Brasileiro de Folclore”. O Congresso, que foi uma iniciativa do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia, teve como objetivo primordial “estabelecer um entendimento comum entre os investigadores dos dois países irmãos de maneira que essa ciência viva das mais profundas raízes nacionais”, foi realizado no ano seguinte, 1948. A Delegação Brasileira foi composta por Câmara Cascudo, Presidente da Sociedade Brasileira de Folclore, Renato Almeida, Chefe dos Serviços de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores, e Luiz Heitor Correia de Azevedo, Professor Catedrático de estudos de Folclore na Universidade do Brasil. Cascudo apareceu como o mentor da iniciativa e a convite de diversas instituições portuguesas, passou três meses em Portugal, conhecendo sua cultura, recolhendo elementos para seus estudos, observando “o riquíssimo e variado folclore português”, visitando amigos e estreitando os laços de amizade, distribuindo os seus trabalhos, publicando artigos em jornais, revistas e demais órgãos de comunicação, proferindo conferências, concedendo entrevistas, conhecendo as diversas instituições voltadas para os campos da Etnografia, Folclore, História e Arte, reunindo-se com os outros membros da Comissão Organizadora do Congresso, e em digressões turísticas, percorrendo quase todas as regiões, lugarejos e localidades portuguesas.

    Hospeda, na sua residência, o folclorista americano Stith Thompson, professor da Universidade de Indiana, de 6 a 9 de novembro. Cascudo dedica-lhe uma “Acta Diurna”, salientando a importância de Thompson no estudo do folclore mundial.

    Publica, por encomenda do Prefeito da cidade do Natal, Sylvio Pedroza, o livro “História da Cidade do Natal”. Publica também a obra “Geografia dos Mitos Brasileiros”.

  • 1948 - 

    Representa o Rio Grande do Norte na comemoração do Tricentenário da 1a Batalha dos Guararapes, iniciativa do Governador de Pernambuco, Barbosa Lima Sobrinho. Nesta ocasião profere, no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, a conferência intitulada “Uma Interpretação Sociológica da Batalha dos Guararapes”.

    Funda, em 1o de maio, a “Universidade Popular”, iniciativa pioneira cujo maior objetivo era despertar nos natalenses a consciência do seu valor e fomentar a idéia de Universidade, que só seria concretizada no estado no final da década de 50. A “Universidade Popular” funcionou no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte e constou de um total de 18 (dezoito) aulas, sob os mais variados assuntos, indo da “História da Literatura do Rio Grande do Norte” (ministrada por Cascudo) até “A Batalha Anti-Malária” (ministrada por Dr. Antônio Siqueira).

    Recebe, em 25 de dezembro, das mãos do Prefeito Sylvio Pedroza o título de Historiador da Cidade do Natal, impresso em pergaminho e acompanhado de uma miniatura da chave da cidade, em ouro.

  • 1949 - 

    A 27 de setembro viaja à Fortaleza, Ceará, para pronunciar uma palestra sob a vida e a obra de Juvenal Galeno, o maior poeta popular cearense. Recebe profusos elogios da imprensa local.

    Publica a obra “Os Holandeses no Rio Grande do Norte” e o opúsculo “Consultando São João: Pesquisa sobre a Origem de Algumas Adivinhações”.

  • 1950 - 

    É nomeado, pelo Governador José Augusto Varella, Diretor do Museu do Arquivo.

    Em dezembro torna-se sócio-honorário da Associación Folklórica de Chile, bem como da Sociedad Folklórica de Bolívia.

    Publica o opúsculo “O Folclore nos Autos Camonianos”.

  • 1951 - 

    Viaja, em duas oportunidades, ao Rio de Janeiro: em agosto para participar do I Congresso Brasileiro de Folclore, onde é relator geral, e em novembro para ser o orador oficial do Dia do Marinheiro, a convite do Ministro da Marinha, Almirante Renato de Almeida Guilhobel.

    Com a criação da Faculdade de Direito, assume a cadeira de Direito Internacional Público. Leciona esta disciplina até se aposentar em 1966.

    Publica as obras “Anúbis e outros ensaios” e “Meleagro - notas para pesquisa do catimbó”.

  • 1952 - 

    Por iniciativa do amigo Aníbal Fernandes, diretor do jornal “Diário de Pernambuco”, e com o apoio de Nilo Pereira, Mário Melo e Veríssimo de Melo, é lançada a idéia da sua candidatura ao Senado Federal. Cascudo recusa, com seu característico bom humor, a iniciativa, dizendo que “sou candidato ao Senado pelo partido do cordão azul”.

    Em agosto, viaja a Teresina, a convite do Governador do Piauí, para realizar uma conferência relativa às comemorações do centenário da cidade.

    Em setembro, é agraciado com o prêmio Honra ao Mérito da Standard Oil Company, concedido às pessoas que se destacaram nas Letras, Artes e Ciências.

    Publica a obra “Literatura Oral” e os opúsculos “Com D. Quixote no Folclore Brasileiro” e “O Poldrinho Sertanejo e os filhos do Vizir do Egito”.

    Traduz e anota a obra “Os Mitos Amazônicos da Tartaruga” de Charles Frederick Hartt.

  • 1953 - 

    Publica a obra “Cinco Livros do Povo- Introdução ao Estudo da Novelística no Brasil” e o opúsculo “Em Sergipe Del Rey”.

  • 1954 - 

    Pronuncia, em janeiro, conferência nas festividades comemorativas do Tricentenário da Restauração Pernambucana, a convite da comissão oficial. No mês seguinte, faz conferência sobre os Transportes Ferroviários Brasileiros por ocasião do transcurso do Cinqüentenário da Comissão “Sampaio Correia”.

    Publica a monumental obra “Dicionário do Folclore Brasileiro”, resultado de mais de dez anos de pesquisa solitária. A obra, primeira compilação científica de termos folclóricos, ainda hoje é uma referência no estudo da cultura popular. Publica ainda “História de um Homem (João Severiano da Câmara)” e a “Antologia de Pedro Velho de Albuquerque Maranhão”. Faz as anotações das obras de Sílvio Romero, “Cantos Populares do Brasil” e “Contos Populares do Brasil“. 

  • 1955 - 

    Em 31 de dezembro, a rua em que nasceu, Senador José Bonifácio, conhecida como Rua das Virgens, na Ribeira, recebe o nome de “Câmara Cascudo”, por determinação do Governador Sylvio Pedroza.

    Publica a obra “História do Rio Grande do Norte”, sob os auspícios do Governador Sylvio Pedroza. Neste ano ainda são lançados os livros “Notas e Documentos para a História de Mossoró” e “Notícias Históricas do Município de Santana do Matos”. Os opúsculos “Notas para a História da Paróquia de Nova Cruz” e “Paróquias do Rio Grande do Norte” e a antologia “Trinta Estórias Brasileiras” também são editados neste ano.

  • 1956 - 

    No dia 1o de janeiro, recebe a homenagem dos amigos através da colocação de uma placa de bronze na casa onde ele nasceu, na então Rua Câmara Cascudo, na Ribeira.

    Publica as obras “Geografia do Brasil Holandês”, “Tradições Populares da Pecuária Nordestina” e “Vida de Pedro Velho”.

  • 1957 - 

    Com o falecimento do romancista José Lins do Rego, em setembro, seus amigos lançam, em Natal, sua candidatura para ocupar a cadeira deixada pelo acadêmico na Academia Brasileira de Letras. Cascudo não age no sentido de concretizar esta candidatura.

    Publica as obras “Jangada” e “Jangadeiros”.

  • 1958 - 

    Publica a obra “Superstições e Costumes”. Faz a compilação da obra “Poesia” de Domingos Caldas Barbosa.

  • 1959 - 

    É escolhido orador oficial do discurso de instalação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, ocorrida na noite de 21 de março. Nesta ocasião, salienta a função maior da universidade: “A Universidade deve valorizar, estudar, defender a Civilização do Brasil. Primeiro porque é bela, sugestiva, original, humana. Segundo porque é nossa”.

    No dia 1o de junho, o Governador Dinarte Mariz assina um decreto nomeando Cascudo para o cargo de 3o Consultor Geral do Estado, como forma de manifestar todo o reconhecimento do estado do Rio Grande do Norte ao seu maior intelectual.

    Ainda em junho, no dia 11, é agraciado com a medalha Mérito Tamandaré, com diploma assinado pelo Ministro da Marinha, Almirante Jorge Passos Matoso Maia.

    Publica as obras “Canto de Muro”, um romance de costumes, e “Rede de Dormir”. O opúsculo “Universidade e Civilização”, com o discurso de instalação da UFRN, é publicado neste ano. Faz a compilação da obra “Poesia” de Antônio Nobre. 

  • 1960 - 

    Em fevereiro, o Deputado Federal pelo Rio Grande do Norte, Djalma Maranhão, desencadeia um movimento junto a jornalistas e escritores do Rio de Janeiro com o objetivo de conduzir Cascudo à Academia Brasileira de Letras, na vaga deixada pelo historiador e folclorista Gustavo Barroso, falecido a 03 de dezembro de 1959. Mais uma vez, ele não atua na direção da concretização desta idéia e proclama-se “sempre noivo da Academia, sem ameaças ilusivas de consórcio”.

    Publica o opúsculo “A Família do Padre Miguelinho”.

  • 1961 - 

    Participa do encerramento do I Festival do Escritor Norte Riograndense, promovido pelo governo do estado, através da conferência “Participação Feminina na Vida Literária do Rio Grande do Norte”, em 16 de dezembro.

    Publica as obras “Ateneu Norte Riograndense” e “Vida Breve de Auta de Souza”. Participa, junto com Vieira de Almeida, edição de Lisboa, do livro “Grande Fabulário de Portugal e do Brasil”. Publica os opúsculos “Etnografia e Direito” e “Breve História do Palácio da Esperança”.

  • 1962 - 

    Publica o opúsculo “Roland no Brasil”.

  • 1963 - 

    De março a maio realiza a sua maior viagem etnográfica: África. A viagem ao continente africano, patrocinada pelo amigo Assis Chateaubriand, Presidente dos Diários Associados, tem por objetivo pesquisar a “alimentação negra nas áreas da antiga exportação de escravos para o Brasil”. Cascudo percorre cerca de 20 mil quilômetros do continente africano, pesquisando preferencialmente os povos bantos. Seu objetivo é recolher material para a sua monumental obra sobre a alimentação brasileira, “História da Alimentação no Brasil”.

    É criada a Medalha Cultural Câmara Cascudo pelo Instituto de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do qual ele foi o fundador e o primeiro diretor.

    Publica a obra “Dante Alighieri e a Tradição Popular no Brasil”.

    Após a viagem à África, começa a apresentar leves sintomas de surdez, que, não sendo devidamente tratados, logo se agravam de forma irreversível. 

  • 1964 - 

    A Câmara Municipal de Natal, por iniciativa do vereador Eugênio Neto, aprova o projeto de lei criando o Prêmio Literário Câmara Cascudo.

    É realizada, por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico do RN, a Semana Câmara Cascudo, que ocorre de 24 a 30 de dezembro. Vários amigos e intelectuais do estado abordam diferentes aspectos da sua atividade intelectual.

    Publica o opúsculo “A Cozinha Africana no Brasil”.

  • 1965 - 

    O Conselho Universitário da UFRN baixa a Resolução No. 8, de 19 de fevereiro, dando ao Instituto de Antropologia a denominação de Instituto de Antropologia Câmara Cascudo, singular homenagem ao etnógrafo potiguar.

    Publica as obras “História da República do Rio Grande do Norte”, “O Nosso Amigo Castriciano” e “Made in África”. 

  • 1966 - 

    Publica as obras “Flor de Romances Trágicos” e “Voz de Nessus”.

  • 1967 - 

    A Universidade Federal do Rio Grande do Norte confere a ele o título de Professor Emérito. A solenidade ocorre no dia 21 de março, sendo reitor o Professor Onofre Lopes. Com este título a Universidade presta a Cascudo uma grande homenagem ao reconhecer o seu caráter de “mestre de maior saber e talento“.

    Publica as obras “Jerônimo Rosado”, “Mouros, Franceses e Judeus”, “Folclore no Brasil” e o 1o volume da “História da Alimentação no Brasil”.

  • 1968 - 

    Em comemoração ao transcurso do cinqüentenário das atividades intelectuais de Cascudo, a Fundação José Augusto (órgão de cultura do estado do RN) cria o Prêmio Luís da Câmara Cascudo, onde eram exigidos trabalhos sobre o homenageado com, no mínimo, 100 páginas. O trabalho premiado é “Viagem ao Universo de Câmara Cascudo”, do professor e escritor Américo de Oliveira Costa, publicado pela Fundação em 1969.

    Publica o 2o volume da “História da Alimentação no Brasil” e as obras “Coisas que o povo diz”, “Prelúdio da Cachaça“, “Nomes da Terra” e “O Tempo e Eu”, obra autobiográfica, além do opúsculo “Calendário das Festas”.

  • 1969 - 

    Grava depoimento, em janeiro, para o Museu da Imagem e do Som, sob a direção de Ricardo Cravo Albim.

    Publica a obra também autobiográfica “Pequeno Manual do Doente Aprendiz” e o opúsculo “A Vaquejada Nordestina e Sua Origem”. 

  • 1970 - 

    Ainda nas comemorações do cinqüentenário cascudiano, é editado pela Fundação José Augusto, os 2 volumes do livro “Luís da Câmara Cascudo - 50 anos de vida intelectual (1918/1968)”, de autoria de Zila Mamede.  A obra representa o mais completo estudo bibliográfico sobre a imensa obra do homenageado.

    A 02 de outubro, a Biblioteca Pública do Estado, por resolução do presidente da Fundação José Augusto, passa a se chamar Biblioteca Câmara Cascudo.

    Por ocasião do 5o Encontro Brasileiro de Escritores, é agraciado com o Prêmio Nacional de Cultura, concedido pela Fundação Cultural do Distrito Federal. Não podendo comparecer a solenidade de entrega por problemas de saúde, é representado na ocasião pelo seu amigo José Júlio Guimarães Lima, Procurador Geral da República.

    Publica as obras “Gente Viva” e “Locuções Tradicionais do Brasil”. 

  • 1971 - 

    Publica as obras “Ensaios de Etnografia Brasileira”, “Na Ronda do Tempo (Diário de 1969)”, “Sociologia do Açúcar” e “Tradição, Ciência do Povo”.

    Lança no dia 16 de julho, na sede da Delegacia Regional do Instituto do Açúcar e do Álcool, no bairro da Ribeira, em Natal, o livro “Sociologia do Açúcar”.

  • 1972 - 

    Publica as obras “Ontem”, outro livro autobiográfico, e “Uma História da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte”.

  • 1973 - 

    A 30 de junho o Presidente da República, General Emílio Garrastazu Médici, baixa um decreto concedendo-lhe a Medalha da Ordem Nacional do Mérito Educativo no Grau de Grande Oficial. Devido à outra viagem programada para São Paulo, Cascudo não pode ir a Brasília para receber pessoalmente aquela distinção.

    Em agosto ele viaja a Brasília onde recebe, no dia 9, o Prêmio Henning Albert Boilesen, criado pela Associação Brasileira de Distribuidores de Gás, pelos relevantes serviços prestados à cultura brasileira.

    Neste ano ocorre a publicação da obra “Civilização e Cultura”, tratado de Etnografia Geral com 741 páginas. O livro, concluído em 1962, passou 11 anos para ser publicado, tendo ficado 9 anos perdido. Inicialmente seus originais foram entregues à Imprensa Estadual de Pernambuco, sem cópias existentes em Natal. A administração da Imprensa é mudada e em 1964 os originais tinham desaparecido. Em 1970, eles reaparecem, sendo reenviados a Cascudo, amarrotados, sujos, riscados e com capítulos incompletos. Cascudo, decepcionado, guarda-os numa gaveta. Em 1971, o reitor da UFRN, Onofre Lopes insiste com Cascudo para a publicação na Imprensa Universitária e ele resiste. Finalmente, o Ministro da Educação e Cultura, Jarbas Passarinho, presente ao cerimonial de transmissão da reitoria da UFRN, em Natal, expressa interesse na publicação do livro, que finalmente é lançada.

    Também é publicado o livro “Movimento de Independência no Rio Grande do Norte”.

  • 1974 - 

    Carlos Lyra, fotógrafo e escritor natalense, faz um documentário fotográfico com Cascudo, intitulado “Uma Câmara vê Cascudo”.

    Publica a obra “Prelúdio e Fuga do Real”, uma das mais intrigantes de Cascudo, e “Religião no Povo”, além do opúsculo “Meu Amigo Thaville: Evocações e Panorama”, sobre o seu grande amigo Thadeu Villar de Lemos.

  • 1975 - 

    Em agosto é homenageado no III Festival do Folclore Brasileiro, realizado pela Fundação José Augusto, em Natal.

  • 1976 - 

    Como resultado de um convênio firmado entre a Fundação José Augusto e a Embrafilme, chega a Natal, em agosto, o cineasta carioca Walter Lima Júnior, com o intuito de filmar um documentário sobre a vida e a obra de Cascudo. O filme fica pronto e é intitulado “Conversa com Cascudo”.

    No dia 24 de novembro, recebe a Medalha da Ordem Nacional das Artes e das Letras da França, em sessão solene no auditório da Reitoria da UFRN. A medalha é entregue pelo Embaixador da França no Brasil, Michel Legendre.

    Publica a obra “História dos Nossos Gestos” e o opúsculo “Mitos Brasileiros”.

  • 1977 - 

    Depõe para a Biblioteca do Congresso Americano, no final de abril. O assessor de imprensa do Consulado Norte Americano, em Recife, Waldir Alves Freire, vem a Natal para colher o depoimento de Cascudo, que, apesar da surdez avançada, fala aos repórteres cerca de uma hora sobre a sua vida de escritor, suas pesquisas, estudos e viagens.

    Neste ano ele recebe o prêmio do qual mais se orgulhava: Juca Pato, Intelectual do Ano. O prêmio, promovido pela União Brasileira de Escritores, é entregue a Cascudo em Natal, no salão nobre da Academia Norte Riograndense de Letras, na noite de 26 de maio. Nesta mesma solenidade, o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Domingos Gomes de Lima, confere a Cascudo o título de Doutor Honoris Causa, grau máximo concedido por uma Universidade. As homenagens deste ano ainda não tinham cessado. Em novembro, vem a Natal o Secretário Geral da Academia Brasileira de História, Marco Antônio Rangel Pestana de Campos Sales, para fazer a entrega solene do colar e do respectivo diploma de acadêmico ao escritor. Além disso, o homenageado também recebeu a láurea cultural Afonso D’Escragnole Taunay, como membro do Conselho Superior do Egrégio Colegiado Acadêmico.

    Publica as obras “O Príncipe Maximiliano de Wied-Neuwied no Brasil (1815-1817)” e “Antologia da Alimentação no Brasil”.

  • 1978 - 

    Neste ano acontecem inúmeros festejos em homenagem aos seus 80 anos de existência. A programação foi iniciada no dia 9 de dezembro e estende-se até o dia 28, antevéspera do aniversário de Cascudo. Dela constaram conferências, reedição de livros, e lançamento de livros sobre ele (“Câmara Cascudo, um brasileiro feliz”, Diógenes da Cunha Lima). Ao agradecer as homenagens, em discurso na noite do dia 28 de dezembro, Cascudo despede-se da vida intelectual dizendo “a todos não apenas agradeço, mas peço que continuem prestigiando aqueles que, mesmo se vão da lei da morte libertando, tenham obstinação preferencial pelas tarefas provincianas, sejam fiéis à sua vocação e não às intuições vulgares, subam a escada da vida e não o elevador, senão, não tem impressão da elevação, da força e da distância e perdem as perspectivas do itinerário vencido”.      

  • 1981 - 

    É lançada a 2a. Edição do livro “História da Cidade do Natal”, editado originalmente em 1947 (33 anos atrás).

  • 1982 - 

    Recebe, na sua residência, no dia 22 de outubro, do Governo da França, representado pelo Cônsul Geral no Recife, Monsieur Guy Klein, a Medalha da Ordem das Artes e das Letras. Nesta ocasião é relançada a obra “Flor de Romances Trágicos”.

    No dia do seu aniversário, 30 de dezembro, é distinguido com a Medalha do Mérito Aeronáutico, no Grau de Grão-Mestre, entregue pelo Brigadeiro Murilo Santos na sua residência.

  • 1983 - 

    O Instituto Nacional do Folclore, órgão da FUNARTE (Rio de Janeiro), denomina 1983 o Ano de Câmara Cascudo e institui um concurso nacional de monografias sobre sua obra.

    Neste mesmo ano, a 16 de dezembro, são reeditadas, na sua residência, três de suas obras: “História da Alimentação no Brasil”, “Civilização e Cultura” e “Geografia dos Mitos Brasileiros”.

  • 1986 - 

    Numa de suas últimas entrevistas, concedidas a 11 de julho ao jornalista Osair Vasconcelos, do “Diário de Natal”, ele faz um importante balanço da sua vida. Segundo suas palavras: “Compreendi a minha vida e vivo a minha vida. Não vivi a vida dos outros. Estudei o que amei. Pesquisei e discuti sobre assuntos que queria escrever. O comum é aparecer uma novidade e o sujeito largar o que está fazendo e fazer a novidade... O segredo da vida está no entendimento”.

    No dia 30 de julho, na Casa de Saúde São Lucas, em Natal, falece Cascudo com 87 anos de idade. Estava internado com um grave problema renal e foi vítima de um ataque cardíaco. Deixa, no dizer do “Diário de Natal”, “uma vaga de gênio na cultura”. Seu corpo é velado na Academia Norte Riograndense de Letras, instituição fundada por ele em 1936. O Governo do Estado decreta luto oficial por três dias. Na manhã do dia 31 seu corpo é colocado num carro do Corpo de Bombeiros, coberto por uma bandeira da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e percorre a cidade em um emotivo cortejo em direção ao cemitério do Alecrim, onde é sepultado no jazigo da família. A cidade, o estado e o país ficam mais pobres sem o grande “contador de histórias”.

  • 1987 - 

    É criado, a 10 de fevereiro, o Memorial Câmara Cascudo, órgão da Fundação José Augusto, com o objetivo de homenagear o maior nome intelectual do estado do RN.

  • 1988 - 

    A Universidade Federal do Rio de Janeiro promove Simpósio, Exposição e Concurso de Monografia Câmara Cascudo. O evento ocorre na Escola de Música da Universidade, sob coordenação da Profa. Irany Leme, durante o período de 22 a 26 de agosto.

  • 1991 - 

    Em setembro, o Banco Central do Brasil coloca a sua efígie na cédula de 50 mil cruzeiros, a maior nota da época. O lançamento oficial da cédula ocorre, solenemente, a 09 de dezembro, no salão nobre do Palácio Potengi, em Natal. A cédula continha a efígie do homenageado no seu anverso, com cenas de jangadeiros à esquerda e a fortaleza do Reis Magos à direita. O reverso da nota, uma imagem do Bumba-meu-boi, auto nacional por excelência, evocava a dimensão folclórica da obra de Cascudo.

  • 1996 - 

    No período de 29 de julho a 02 de agosto realiza-se a I Semana Universitária sobre Luís da Câmara Cascudo, a cargo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com coordenação do Prof. Francisco Fernandes Marinho. Ocorrem palestras e exposições com o objetivo maior de resgatar o valor e a importância de Câmara Cascudo para a cultura do nosso país, bem como difundir no meio acadêmico a sua obra.

  • 1998 - 

    Comemora-se o centenário de Cascudo. As comemorações são coordenadas pela Prefeitura Municipal da cidade do Natal, a cargo da Fundação Capitania das Artes. Entre as comemorações destaca-se o Seminário “O Brasil descobre Cascudo”, realizado no período de 17 a 22 de agosto, que reuniu, 22 estudiosos, pesquisadores, folcloristas, escritores, e, 500 estudantes, professores e interessados na obra cascudiana. O Seminário é dividido nos seguintes temas: Cascudo e a Cultura do Nordeste, Cascudo e o Conhecimento da Tradição, Cascudo – Historiador da Comida Brasileira, Cascudo na Intimidade, Portugal e África na Obra de Cascudo, Cascudo: o Mundo e a Província. Registram-se as participações de inúmeros intelectuais, que proferem as diversas palestras do Seminário, entre eles: Deífilo Gurgel, Neuma Fechine, Américo Pellegrini, Ático Vilas Boas da Mota, Pedro Vicente, Roberto Câmara Benjamim, Fernando da Câmara Cascudo (filho), Enélio Petrovich, Augusto Mesquitela Lima, Altimar de Alencar Pimentel, Fátima Quintas, Diógenes da Cunha Lima e Tarcísio Gurgel. Nesta ocasião também é criado o Mérito Câmara Cascudo e é decretada Avenida Câmara Cascudo à rua onde ele viveu e trabalhou a maior parte de sua vida. Ocorrem diversas exposições e apresentações folclóricas em homenagem a Cascudo.

    No dia 04 de maio é lançado, pela Caixa Econômica Federal, o Bilhete da Loteria Federal em homenagem ao centenário de Câmara Cascudo. O bilhete, com estampa do artista plástico João Natal, foi inspirado nas superstições do Brasil.

    Nos dias 01 e 02 de dezembro é encenado o espetáculo “Cascudo faz um bem danado!!”, no Teatro Alberto Maranhão, em Natal/RN, com direção geral de Diana Fontes e participação da Corpo Vivo Cia. de Dança.

    O Serviço Social do Comércio – SESC/RN – realiza a Feira de Livros Infantis “Cascudo, Cascudinho, Cascudão”, em homenagem a Câmara Cascudo, no período de 05 a 09 de outubro, no SESC/Potilândia.

    Ocorre a II Semana Universitária sobre Luís da Câmara Cascudo, realizada de 30 de novembro a 04 de dezembro. A Semana é promovida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e organizada pelo Departamento de História, constando de diversas exposições que mostram a vida e obra do homenageado. A cargo do Departamento de Artes da UFRN é montado e encenado o espetáculo “Antes da Noite”, em homenagem a Câmara Cascudo. O texto é de autoria de Makarios Maia e o título do espetáculo é uma alusão ao último livro que Cascudo gostaria de ter escrito, antes do seu “encantamento”, que deveria intitular-se “Antes da Noite”.

    No dia 09 de dezembro, o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte promove uma Sessão Especial comemorativa dos 100 anos do mestre Câmara Cascudo, com palestra do Presidente do Conselho Estadual de Cultura, Prof. Cláudio Emerenciano.

    Seu nome foi destacado como pensador sul-americano em religiosidade, tendo painel comemorativo na EXPO 98, ocorrida em Lisboa, Portugal.

    O Museu de Folclore Edison Carneiro promove a exposição O Brasil de Câmara Cascudo, no período de 22 de setembro a 22 de novembro. A exposição, com curadoria de Beatriz Muniz Freire, Raul Lody e Vera Lúcia Ferreira da Rosa, mostra o Brasil segundo a ótica cascudiana e ressalta o caráter enciclopédico de sua obra.

  • 1999 - 

    No dia 11 de janeiro, a agência da Caixa Econômica Federal do bairro de Ponta Negra, Natal/RN, é reinaugurada e passa a se intitular Agência Câmara Cascudo.

    A turma de conclusão do curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte homenageia Cascudo, através do título “Turma Luís da Câmara Cascudo”. A homenagem procura ressaltar Cascudo como o primeiro professor da Cadeira de Direito Internacional Público da UFRN.          

  • 2000 - 

    A Global Editora passa a reeditar toda a obra de Cascudo, iniciando com a publicação do “Dicionário do Folclore Brasileiro”, obra-prima a muito desaparecida do mercado editorial.

  • 2002 - 

    Torna-se nome de faculdade, Faculdade Câmara Cascudo, inaugurada no dia 18 de julho na unidade do Colégio e Curso CDF, em Natal/RN.

  • 2004 - 

    Sua frase “O melhor do Brasil é o brasileiro” torna-se o slogan principal da campanha de valorização da auto-estima do brasileiro promovida pela Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) e criada pela Agência de Publicidade paulista Lew,Lara. O lançamento da campanha nacional ocorre em São Paulo, com a presença do Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, e todo o empresariado brasileiro. Na oportunidade a família foi devidamente representada pela filha Anna Maria Cascudo e pela neta Daliana Cascudo.

  • 2005 - 

    A Família de Cascudo, representada por sua filha Anna Maria, inicia a restauração da sua residência particular. A casa encontrava-se infestada por cupins e os serviços iniciam-se com a troca de todo o madeiramento e o telhamento da mesma. A restauração estende-se às esquadrias, às instalações hidráulicas e elétricas, ao piso e ao mobiliário, tendo sempre a preocupação de manter as características originais da época de sua construção.

    No dia 22 de junho, a Livraria Siciliano, localizada no Shopping Midway Mall em Natal, nomeia Câmara Cascudo como seu patrono.

  • 2006 - 

    O XII Congresso Brasileiro de Folclore, realizado em Natal no período de 29 de agosto a 1º de setembro, é dedicado à figura de Cascudo, que é o grande homenageado do evento.

    O Encontro Natalense de Escritores, promovido pela Fundação Cultural Capitania das Artes, órgão da Prefeitura Municipal do Natal, no período de 23 a 25 de novembro, é dedicado a Câmara Cascudo. No evento acontece a mesa-redonda intitulada A Escritura Epistolar de Câmara Cascudo, com participação dos professores Humberto Hermenegildo, Marcos Morais, Emerson Tin e Constância Lima Duarte, e tendo Anna Maria Cascudo como convidada especial.

    Em dezembro a Fundação Cultural Capitania das Artes, órgão da Prefeitura Municipal do Natal, promove o espetáculo de dança A Princesa e O Gigante, baseado em conto coletado por Cascudo. O espetáculo é coordenado pelo Prof. Roosevelt Pimenta e ocorre no Teatro Alberto Maranhão em Natal.

  • 2007 - 

    A 7 de outubro, é criado o Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo, a cargo da família e com o objetivo maior de gerenciar, preservar e divulgar o imenso patrimônio cultural do seu patrono.

    É eleito “santo” e faz sucesso em evento internacional. Os contadores de histórias precisavam de um padroeiro e eis que o Instituto Cultural Aletria o elegeu como padroeiro da tradição. O lançamento de “São Cascudo” ocorreu no Simpósio Internacional de Contadores de História, realizado no Rio de Janeiro, de 23 a 26 de agosto de 2007. A oração de “São Cascudo” faz referências ao mundo das histórias que ele, em vida, tão bem valorizou. Foi, na oportunidade, considerado “o único estudioso de sua especialidade que tinha uma visão verdadeiramente nacional do folclore brasileiro”.

    É eleito “Norte-Riograndense do Século”, através de votação popular capitaneado pela Inter-TV Cabugi, afiliada no estado do Rio Grande do Norte, da Rede Globo. Sua votação foi tão expressiva que era maior do que todos os demais candidatos somados.

  • 2008 - 

    É construído o Pavilhão Dáhlia Freire Cascudo, com o objetivo de abrigar a biblioteca particular de Cascudo, que é transferida do Memorial e retorna ao seu local de origem. A biblioteca é composta por cerca de 10.000 volumes, além do acervo de correspondências (15.000), jornais, fotografias e demais documentos.

    Foi homenageado no carnaval paulista, em fevereiro, através da tradicional escola de samba, Nenê de Vila Matilde, com o enredo “110 anos de Luís da Câmara Cascudo – O vôo da águia como nunca se viu, também somos folclore no nosso Brasil”. O carro abre-alas da escola foi à avenida homenageando Câmara Cascudo, com a presença de vários de seus familiares.

    Em julho é encenado o espetáculo Mariazinha da Câmara Cascudo no Teatro Ressurreição de São Paulo. A peça, a cargo do Grupo Permanente de Pesquisa da Cooperativa Paulista de Teatro, baseia-se na obra cascudiana e mescla contos e canções tradicionais do Brasil. A direção ficou a cargo de Telma Dias e o espetáculo é voltado para crianças de 3 a 12 anos de idade.

    É instituído o I Prêmio Câmara Cascudo de Folkcomunicação, com o tema Incursões de Câmara Cascudo pelo território folkcomunicacional. O prêmio está inserido no XI FOLKCOM – Conferência Brasileira de Folkcomunicação, sendo promovido pela Rede FOLKCOM, contando com o apoio da INTERCOM, UFRN e Cátedra UNESCO/Metodista. Em 2008, a XI FOLKCOM ocorre na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, no período de agosto. A comissão avaliadora do Prêmio Câmara Cascudo de Folkcomunicação formada pelos professores Maria Érica de Oliveira Lima (coordenadora local da Folkcom 2008), Socorro Veloso (UFRN) e Moacir Barbosa (coordenador local do Intercom 2008) divulgaram os vencedores do Prêmio, entregue a 02 de setembro, destacando as "Vozes de Romances: a cultura popular por meio da cantoria de Dona Militana” de Amanda Germano e Danycelle Silva (categoria documentário). “A cultura popular na Ilha da magia: práticas e memórias de bruxaria”, de Karina Janz Woitowicz (categoria reportagem) e “Motivos Folkcomunicacionais de Cascudo” da profa. Ivany Câmara Neiva".

    É homenageado no 44º Festival de Folclore, ocorrido em Olímpia, estado de São Paulo, no período de 02 a 08 de agosto deste ano. Sua filha, Anna Maria Cascudo, é a Presidente de Honra do Evento, onde ocorreu ainda a chancela do Grande Colar Cultural Câmara Cascudo, pela Prefeitura de Olímpia, Festival Nacional do Folclore e Academia Brasileira de Arte, Cultura e História.

    Ainda em novembro deste ano, é consagrado como um dos inspiradores do Primeiro Congresso de Umbanda do Século XXI realizado na Faculdade de Teologia Umbandista, em São Paulo. Sua filha e Presidente do Instituto Câmara Cascudo, Anna Maria Cascudo, participou do evento como uma das palestrantes.

    Em dezembro de 2008 é instituída pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte a “Medalha de Mérito Câmara Cascudo”, para homenagear grandes nomes culturais do estado. Anna Maria Cascudo é honrada com a primeira delas e recebe em solenidade na Assembléia.

     Dentro das comemorações dos 50 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN são lançadas novas edições de quatro livros de Cascudo, dentro da Coleção Câmara Cascudo: Memória e Biografias. São eles: O Tempo e Eu, Vida Breve de Auta de Souza, Nosso Amigo Castriciano, Vida de Pedro Velho. O relançamento destas obras é extremamente relevante, por recolocar no mercado obras singulares que se encontravam esgotadas.

  • 2009 - 

    No Centro Cultural FIESP, Teatro SESI paulista, é encenada a peça intitulada “O Colecionador de Crepúsculos”, homenagem singela a Câmara Cascudo. A peça, baseada nos contos do historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo, tem como objetivo mostrar às crianças e aos adolescentes as lendas, crenças, costumes, mitos e tradições do nosso povo (Teatro Infantil). A dramaturgia e a direção ficaram a cargo do reconhecido Diretor Teatral Vladimir Capella, que reuniu vinte e quatro atores, entre eles Selma Egrei, Luiz Damasceno, Guilherme Sant’Anna, Carolina Capacle, com participação especial de Rolando Boldrin, que representa o Senhor Brasil, Câmara Cascudo. O espetáculo, com 90 minutos de duração, é muito bem recebido pela crítica e pelo público, tendo uma repercussão nacional expressiva.

  • 2010 - 

    A 5 de janeiro, o Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo é oficialmente aberto à visitação pública, recebendo a visita de alunos, turistas e todos os interessados em conhecer, mais de perto, a vida e a obra do maior intelectual potiguar. O ano é marcado por ações de divulgação, estruturação e consolidação do Ludovicus, tais como: elaboração de projetos, estabelecimento de convênios e parcerias e disponibilização do espaço cultural para outras instituições interessadas. Neste sentido, ocorre no período de 28 a 29 de maio, o Ciclo de Leituras Dramáticas, a cargo do Núcleo de Jovens Artistas – NJA, realizado no auditório do Ludovicus. Em 21 de junho, recebemos a visita da Diretora do Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM na nossa sede e são apresentados diversos projetos pleiteados pela instituição, tais como: aquisição de arquivos deslizantes para acondicionamento do acervo bibliográfico e documental, climatização do ambiente, aquisição de equipamentos de segurança, contação de histórias, oficinas, seminários e atividades lúdicas, ações de preservação e divulgação do acervo imaterial.
    A 24 de julho, neste mesmo auditório, acontece a inauguração do Núcleo Educacionista Câmara Cascudo, ONG presente em diversos estados do país, cujo objetivo é discutir e fortalecer a educação brasileira. É elaborado o projeto de digitalização do acervo de correspondências de Cascudo, composto por cerca de 15.000 itens. Para a concretização deste projeto é firmado um contrato com a empresa de digitalização Mais Data, que inicia o processo em agosto, sendo a primeira etapa composta pelo escaneamento, realizado no próprio Ludovicus, de todos os documentos.

    Em 28 de julho é firmado com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) um Acordo de Cooperação Técnico-Científica, cujo objetivo é “a promoção da mútua cooperação técnica, científica e educacional entre as instituições signatárias, visando o desenvolvimento de atividades voltadas para o ensino, pesquisa e extensão, que envolvam trocas de informações técnicas e científicas, consultoria, realização de cursos, estágios, seminários e conferências, publicação de títulos, que permitam aos partícipes conjugar esforços em suas respectivas áreas de atuação, favorecendo o intercâmbio entre profissionais e acadêmicos nas áreas de interesse comum, impulsionando a produção de programas e projetos nas áreas afins, especialmente as concernentes à vida e obra de Luís da Câmara Cascudo”. Na oportunidade são lançados pela EDUFRN, mais cinco obras cascudianas, quatro da Coleção Câmara Cascudo: memória, Gente Viva, Na Ronda do Tempo, Ontem, Pequeno Manual do Doente Aprendiz, e uma pertencente à Coleção História Potiguar, História da Cidade do Natal. Novamente a UFRN se faz presente com importante lançamento de livros que se encontravam fora do mercado e cuja importância para a história e a cultura brasileira é inegável.

    A 15 de dezembro, em alusão ao aniversário natalício de Cascudo, são lançadas duas obras cruciais para o entendimento cascudiano: Câmara Cascudo e Mário de Andrade – Cartas, 1924-1944, com organização e notas do Prof. Marcos Antonio de Moraes, do IEB/USP, e Coronel Cascudo: O herói oculto, de autoria de Anna Maria Cascudo Barreto, presidente do Ludovicus. A primeira delas, a cargo da Global Editora, resultou de uma profícua parceria firmada entre diversas instituições potiguares e paulistas, a saber: Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo, Academia Norte-Riograndense de Letras, Instituto de Estudos Brasileiros – IEB/USP e Academia Paulista de Letras. A obra tem um caráter histórico bastante peculiar devido ao fato de reunir, pela primeira vez, toda a correspondência trocada durante vinte anos entre dois dos maiores intelectuais brasileiros. O segundo lançamento, sob responsabilidade da Editora da UFRN – EDUFRN, faz o resgate de um personagem histórico, Francisco Justino de Oliveira Cascudo, pai de Luís da Câmara Cascudo e personalidade atuante na história potiguar.

Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo

Avenida Câmara Cascudo, 377 - Cidade Alta - Natal/RN

CEP: 59.025-280

(84) 3222-3293    

Visitação

O Instituto está aberto ao público de terça a sexta-feira, das 10h às 16h. A Bilheteria fecha às 15h30.

Preço do Ingresso: R$ 5,00 - Estudantes com carteira pagam meia-entrada.

Escolas da rede pública e projetos sociais são isentos do pagamento.

Professores da escola particular acompanhando grupos de alunos são isentos do pagamento.

O ingresso só pode ser pago em dinheiro, não havendo venda antecipada de ingresso.